Síndrome do bebê chiador

20.09.2018

Síndrome do bebê chiador

O que é

Chamamos de síndrome do bebê chiador o chiado no peito que ocorre na criança até os dois anos de idade e que pode estar relacionado ou não a problemas respiratórios.  Este chiado pode ser contínuo (persistente) ou transitório. É muito comum confundir o termo bebê chiador com asma. Eles não são sinônimos. A asma pode ser uma das causas do bebê chiador, mas não é a única.

 

Sintomas

O principal sintoma do bebê chiador é o chiado no peito, tecnicamente conhecido como sibilo. A criança pode apresentar chiado contínuo por um mês ou apresentar pelo menos 3 episódios de chiado em 2 meses. A intensidade dos sibilos é variável: pode ser leve, sem causar dificuldade para respirar; moderado, quando há uma certa dificuldade respiratória necessitando de internação para tratamento e oferta de oxigênio ou grave, quando causa uma insuficiência respiratória com necessidade de internação em UTI  e suporte de ventilação através de respiradores artificiais.

 

Causas

Existem diversas causas para a síndrome do bebê chiador. As mais comuns são as de origem pulmonar, destacando-se as infecções virais, como, por exemplo, a bronquiolite. Outras causas são o refluxo gastroesofágico, as aspirações de corpo estranho (feijão, amendoim, pipoca, objetos pequenos entre outros), doenças pulmonares como a broncodisplasia dos prematuros, fibrose cística e a própria asma.  Causas não pulmonares são menos frequentes mas também podem causar chiado, como é o caso da insuficiência cardíaca, das malformações de vias aéreas (p. ex.: anéis vasculares), dos tumores de mediastino, da traqueomalácia, da tuberculose entre outros.

 

Diagnóstico

O diagnóstico de bebê chiador é clínico. Uma boa história clínica e o exame físico são suficientes para determinar a causa do chiado mas, em alguns casos, a critério do pediatra, podem ser necessários exames complementares. O diagnóstico mais difícil, nesta idade, é o de asma, devido à variedade de causas que levam ao chiado, porém, alguns critérios podem ser usados para considerar esta possibilidade: presença de dermatite atópica e pais com história de asma.  Quando estes critérios estiverem presentes, o risco de desenvolver asma no futuro é de 60% e, quando negativos, cerca de 10% das crianças desenvolvem asma.

 

Tratamento​

O tratamento do bebê chiador depende da causa, no entanto, na crise aguda está indicado o uso de broncodilatadores por via inalatória, em especial, o salbutamol. Eventualmente, pode ser necessário o uso de corticoide por via oral durante 5 a 10 dias, quando não houver melhora com o uso do broncodilatador.

 

A higiene ambiental é fundamental para evitar a exposição da via aérea a agentes irritantes como poeira, ácaros, mofo, pêlos de animais. Evitar tapetes, cortinas, carpete e o contato da criança com bichos de pelúcia O tabagismo deve ser desencorajado, pois a exposição à fumaça do cigarro aumenta a produção de muco e a reatividade das vias aéreas.

 

O acompanhamento com o pediatra deve ser uma rotina para a avaliação constante e escolha do melhor tratamento para cada criança.

 

Fonte:

Dra. ​Milena De Paulis, pediatra do Einstein
https://www.einstein.br/guia-doencas-sintomas/info/#265

 

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